Acusado de matar professora a pauladas diz que ‘agiu em legítima defesa’ em audiência em RO

Por G1 RO — Porto Velho

Ueliton Aparecido chegou por volta das 8h30 para o interrogatório. — Foto: Divulgação

O acusado de matar a pauladas a ex-companheira e professora Joselita Félix, de 47 anos, em Candeias do Jamari, foi interrogado na manhã desta sexta-feira (17), em Porto Velho. Durante a audiência, Ueliton Aparecido da Silva, de 35 anos, confessou ter assassinado a educadora, mas alegou ter agido em legítima defesa e que não a matou a golpes de madeira. O crime completou dois meses.

Ueliton chegou no Fórum Criminal da Comarca de Porto Velho por volta das 8h30 e saiu

Joselita Felix foi morta pelo ex-companheiro em Rondônia — Foto: Facebook/Reprodução

perto das 14h. Ele segue preso na unidade prisional Pandinha, na capital. Ao entrar para o interrogatório, acabou se exaltando e, com isso, os policiais precisaram algema-lo.

Em depoimento, Ueliton confessou ter matado Joselita, mas negou que tenha sido a pauladas. Disse que a empurrou para se defender e que a educadora teria caído e batido a cabeça. O réu alegou “legítima defesa”, após ter sido supostamente “agredido por Joselita e pelo pai da vítima ao mesmo tempo”.

Durante a audiência, mais de 10 testemunhas foram ouvidas. Entre elas estava o pai de Joselita, Francisco Félix, de 74 anos, que foi atacado por Ueliton a facadas, além de pessoas próximas da vítima. A única de defesa presente era a mãe do ex-companheiro de Joselita.

Com o interrogatório, a Justiça agora vai definir se o réu irá ou não a júri popular. A decisão será publicada pelo Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) nos próximos dias.

Ueliton foi acusado pelo Ministério Público de Rondônia (MP-RO) de tentativa de homicídio e feminicídio. Segundo o MP, o réu matou Joselita por motivo torpe e de forma cruel, “considerando que tinha muito ciúmes” da professora. A vítima e o acusado ficaram juntos cerca de 3 anos.

Conforme a denúncia, Ueliton, inconformado com o término do relacionamento com a vítima, foi até a casa do pai dela, Francisco Félix. Primeiro, o acusado arrombou a porta da residência e, com uma faca, desferiu golpes contra o idoso. Depois, pegou um pedaço de madeira usado para fechar a porta e agrediu inúmeras vezes a professora.

Morte de Joselita

O crime aconteceu na manhã do dia 17 de março, um domingo, em Candeias do Jamari. Joselita, vítima de feminicídio, não resistiu aos ferimentos na cabeça e morreu minutos depois de ser agredida. Um dia antes de ser assassinada, a educadora mandou áudios para uma amiga dizendo que pretendia entrar com uma medida protetiva contra Ueliton.

Amigos fizeram homenagens à professora Joselita Félix — Foto: Helena Santos/Arquivo Pessoal

O caso ganhou destaque na edição do dia 24 de março deste ano do Fantástico, além de ter gerado forte repercussão e revolta da população. A prefeitura de Porto Velho divulgou nota em sinal de luto lamentando a morte da servidora pública.

Nas redes sociais, internautas postaram mensagens clamando por Justiça à educadora. Uma aluna postou no dia do crime que Joselita fazia questão de motivar os alunos a estudar.

“Nos acompanhou, nos viu crescer. Nos estimulava a estudar. Às vezes umas brigas, uns puxões de orelha, mas muita alegria, aprendizado e comilança”, relembrou.

A comoção pelo caso se estendeu no sepultamento da professora, que contou com a presença de amigos, familiares e alunos que conviveram e aprenderam com Joselita. O caso também levou centenas de pessoas às ruas de Porto Velho, em protesto pelo crime.

Em uma dessas manifestações, mulheres estenderam cartazes no chão com a frase “parem de nos matar” e acenderam velas.

Sala de aula

Aos 47 anos, Joselita era servidora municipal de Porto Velho, mas atualmente morava em Candeias do Jamari para cuidar dos pais, um casal de idosos.

Joselita Félix era graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Rondônia desde 1992 e também tinha bacharel em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas, Exatas e Letras de Rondônia (2007).

Lei do Feminicídio

A Lei nº 13.104, conhecida como a Lei do Feminicídio, foi sancionada em março de 2015 pela então presidente Dilma Rousseff. Ela incluiu o crime no Código Penal Brasileiro como uma modalidade de homicídio qualificado, entrando, assim, na lista de crimes hediondos.

A justificativa para a necessidade de uma lei específica aos crimes relacionados ao gênero feminino está no fato de grande parte dos assassinatos de mulheres nos últimos anos serem cometidos dentro da própria casa das vítimas, muitas vezes por companheiros ou ex-companheiros.