quinta-feira , dezembro 14 2017

E AÍ “CRENTE SUNAMITA”, VAI TUDO BEM MESMO?

  Por Fernando Pereira

Quem nunca viu alguém pregar dizendo, com base na resposta da Sunamita (2 Rs 4.26), que a resposta do crente que enfrenta dificuldades deve ser “vai tudo bem”, quando indagado a respeito de sua situação? Existem até mesmo uma canção muito famosa do saudoso cantor Jair Pires que ajudou a construir, pelo menos no imaginário pentecostal, essa “verdade”.

Pergunta:

 

A pergunta que fica que se deve fazer é: “qual foi a intenção da Sunamita ao responder Geazi desta forma?” Conforme o contexto, a mulher fora muito receptiva para com o profeta Eliseu e, este, por sua vez, profetizou a ela que ela teria um filho, embora seu esposo fosse velho. No ano seguinte, eis que a mulher surge grávida e dá a luz ao um filho como havia sido profetizado. Mas, certo dia, o menino, que acompanhava o pai nos afazeres agrícolas, sente uma forte dor de cabeça e morreu.

Diante da situação,a mãe comunicou ao marido que iria em busca do profeta para que este resolvesse seu problema. Antes de sair de casa a mulher diz ao marido, conforme o texto original, para que ele ficasse em “Shalom”/paz que vem de Deus. Ou seja, aquietar-se em Deus até que ela buscasse uma resposta definitiva sobre a situação.

Ela parte em direção ao profeta, que estava no Monte Carmelo. Mas, pouco antes de sair, ela solicita ao servo que vai conseguir conduzir a mula (2 Rs 4.24),que era para ele seguir caminho de forma apressada e que só deveria para quando ela desse a ordem. Ao avistar que ao longe vinha a mulher, Eliseu pede ao seu servo Geazi que vá de encontro a ela e perguntar se ela estava bem, se o marido estava bem e também se o filho estava bem. E foi aí que ela ela respondeu: “vai tudo bem!” (2 Rs 4.26).

Mas ela não se deteve no caminho, continuou em direção ao Carmelo. E lá, conforme o versículo 27, o profeta diz ao seu discípulo que a deixasse em pois, pois Deus não lhe havia revelado a razão de tamanha que ela manifestava sentir. Este versículo tem uma conexão direta com a pergunta que o marido faz a mulher antes de ela partir em direção ao profeta. Ele disse: “por que é que vais ter com o profeta ainda hoje, sendo que não é dia de Lua nova nem sábado?” (Versículo 23). Talvez fosse só nessas datas específicas que o profeta estava disponível a receber as pessoas. Pelo fato de ter sempre tratado bem ao profeta,a mulher tinha a certeza de que ele a receberia mesmo em um dia não próprio.

Resposta:

Mas é quanto a resposta que ela deu? A resposta está em um simples exercício de lógica: quem profetizou o filho a mulher, não foi Eliseu? Sim. Quem interveio na situação e trouxe solução não foi Eliseu (por mais que ele tenha mandado Geazi antes)? Sim.

A mulher não queria era perder tempo, queria uma resposta precisa para um problema urgente.

No original, quando ela dá a resposta a Geazi, ela usa também o termo “Shalom”/paz que vem de Deus/ que Deus proporciona.  A mulher foi em busca de entender o porquê de o profeta ter lhe profetizado um filho sendo que agora este filho falecera. Ela queria entender a razão disso (versículo 28).

A mulher enfrentava um profundo sentimento de desapontamento e desilusão, pois ela tinha o que não pediu, mas agora que tinha, amava como se o houvesse pedido. Para penetrar essa dimensão do sentimento da Sunamita só mesmo sendo uma mãe. A Mulher, ao responder Geazi com apenas duas palavras, estava apenas se mantendo firme no propósito de ir em busca da solução para o seu problema, então de falar sobre ele com o mero propósito de torná-lo conhecido.

Lição:

O texto não deixa pressuposto para que sejamos falsos em nossas respostas, do tipo “super-homens” ou “super-mulheres”, que enganam os outros e tentam se enganar quanto a realidade da sua situação, mas que sejamos pessoas com um propósito verdadeiro de buscar uma solução real e no lugar certo para nossos problemas. Antes de sermos perguntados sobre se estamos bem, devemos fazer essa reflexão e determinar a resposta com base em nossa realidade.

Há muitos crentes se iludindo quanto a uma depressão que tem, a um problema no casamento, a um problema de relacionamento com o filhos, com Deus, com as pessoas da sua igreja e etc., Mas preferem dizer que “está tudo” a encarar a realidade e buscar uma solução.

Assim como a Sunamita, estabeleça como causa urgente a busca para os problemas que lhe causam aflição. Não se detenha no caminho, não perca tempo. Faça isso agora mesmo.

Sobre Rinaldo Moreira - DRT: 000.1505/RO

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