Faro de gol: conheça Dany Helena, a artilheira do Flamengo em 2018

Por Ivan Raupp e Richard Souza — GE/Rio de Janeiro

A torcida do Flamengo não anda muito satisfeita com o desempenho dos atacantes do time em 2018. O clube gastou muitos milhões, mas nenhum dos reforços emplacou até agora. Henrique Dourado, Uribe, Lincoln e Vitinho, os principais encarregados de fazer os gols do Rubro-Negro, balançaram as redes, juntos, apenas 16 vezes em 2018. Enquanto isso, tem artilheira dando show entre as mulheres.

A atacante Dany Helena é o grande destaque da equipe feminina do Flamengo na temporada. Fez 15 gols no Campeonato Brasileiro, onde o clube caiu para o Corinthians na semifinal – é artilheira do torneio -, e mais cinco nos Jogos Mundiais Militares. Vale lembrar que o Fla tem parceria com a Marinha, por isso o time representou o Brasil neste torneio. Ou seja, Dany tem 20 gols em 2018, mais do que todos os atacantes do masculino somados. E ainda tem o Campeonato Carioca pela frente.

Dany Helena é a artilheira do Flamengo no ano, com 20 gols em 20 jogos — Foto: André Viero

– Fico feliz por estar fazendo os gols, mas gostaria também que meus companheiros de equipe estivessem numa fase melhor, marcando mais, conseguindo ajudar mais o Flamengo. É fase. Às vezes não está acontecendo tão bem para um, mas está acontecendo para outros. Espero me destacar aqui e espero que eles se destaquem lá – disse, em entrevista ao GloboEsporte.com.

Artilheiros do Flamengo em 2018

Gols Jogos Média de gol por jogo
Dany Helena 20 20 1
Henrique Dourado 10 37 0,27
Uribe 3 15 0,2
Lincoln 2 22 0,09
Vitinho 1 19 0,05
Fonte: GloboEsporte.com

– É o sonho de toda atleta chegar à seleção. Não estava esperando, fui pega de surpresa, até me assustei na hora em que fiquei sabendo. Mas fiquei muito feliz. Espero conseguir chegar lá, fazer meu melhor e ajudar.

O futebol está no sangue de Dany Helena. Natural de Brasília, quando pequena ela acompanhava os jogos da mãe. Começou no futsal e depois foi para o futebol de campo. Mas só passou a viver disso depois de se formar em educação física. Passou pelo Kindermann-SC e pelo Iranduba-AM antes de chegar ao Flamengo.

Dany se prepara para entrevista — Foto: André Viero

– Sempre procurei estudar, ter uma profissão, porque no futebol feminino às vezes a gente não consegue decolar na carreira. Mas depois que me formei, tentei. Falei: poxa, agora acho que vou tentar ser atleta, sair de Brasília. Mesmo Brasília tendo muitas atletas boas, os times de lá não participavam de competições nacionais. Então, eu queria jogar uma competição mais difícil, importante. Tive que sair de casa. Foi muito difícil para mim, porque sou muito apegada à minha família, aos meus pais. Sofri bastante no início. E a partir daí fui conseguindo me destacar nas equipes por onde passei. Sempre tive bons resultados e estou aqui no Flamengo hoje.

A parceria do Flamengo com a Marinha vem desde 2015. Todas as 36 jogadoras do elenco têm a patente de terceiro sargento e recebem salário da própria Marinha. Uma realidade um pouco mais segura, dentro da desvalorização que o futebol feminino enfrenta no Brasil.

– É diferente, né? Aqui a gente é atleta e é militar. Mas é bom, a disciplina e a hierarquia da Marinha ajudam, fazem com que a gente tenha esse espírito militar e leve para dentro de campo. Treinamos e nos dedicamos muito.

A brasiliense de 26 anos durante treino do Flamengo/Marinha — Foto: André Viero

Dany Helena é fã de Marta, claro, e também de Cristiane, por conta da posição similar dentro de campo. Entre os homens, a grande inspiração é Fred, ex-Fluminense e atualmente no Cruzeiro. Assim como ela, Cristiane e Fred vivem de gol.

– Está sendo um ano maravilhoso para mim. Tive a oportunidade de estar jogando, a bola está entrando, porque a gente sabe como é a vida de atacante. Às vezes está na fase boa, e às vezes não tão boa, em que a gente tenta, tenta, tenta… Porque todo atacante quer fazer gol, né? E eu não sou diferente. Tenho muito faro de gol, tento de verdade sempre estar ajudando a equipe mesmo que às vezes não seja com gols, mas com passes, e me também dedico bastante na marcação. Neste ano a bola entrou e espero que continue entrando – finalizou.

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