No Brasileiro/2019, apenas quatro clubes já trocaram os treinadores

Por SILVIO LANCELLOTTI – R7

STYLLYS MALHARIA

Praticamente um ano atrás, entre 13 de Junho e 18 de Julho, durante a interrupção obrigatória que a Copa da Rússia provocou no Campeonato Brasileiro da Série A, nada menos do que 11 dos 20 clubes alteraram as suas comissões técnicas. Ou, 55%. Claro, já se imaginava que aquele certame de 2018 derrubaria todos os recordes de demissão de treinadores. De fato, até o seu final, exatos 44 personagens ocuparam o comando dos 20 clubes. E houve 7 que, sem o menor constrangimento e inclusive sem medo de nova degola, trabalharam em dois times na mesma temporada e no mesmo torneio.

Tite, no certame de 2015, o único sobrevivente – Agência Corinthians

Nesta década, aliás, só a temporada de 2012, digamos, se mostrou generosa com os treinadores. Apenas 14 dos 20 clubes substituíram os seus. Do outro lado, o absurdo dos absurdos, em 2015, uma única equipe, a do Corinthians, preservou o seu orientador, Adenor Tite Bacchi. E 2019, promete o quê? Até aqui, ótimos auspícios. Por causa da Copa América, que se desenvolveu entre 14 de Junho e 7 de Julho, o Brasileiro parou na sua rodada de número 9. Neste sábado, dia 13 de Julho, retoma o seu percurso de longas 38 jornadas e, por enquanto, meras 4 diretorias interferiram nas comissões técnicas

Alberto Valentim (Foto: Divulgação/Avaí)

AVAÍ
Despediu: Eugênio Machado Souto, o Geninho
Contratou: Alberto Valentim
Oliveira/MG, 22 de Março de 1975
Como jogador, lateral-direito

Geninho era o decano dentre os responsáveis pelos 20 clubes desta edição do Brasileiro, o único mais velho do que o Felipão do Palmeiras, que nasceu em Novembro do mesmo ano. Ocupava o cargo desde Abril de 2018. Mas, depois de ficar na terceira colocação da Série B e, então, de conquistar o título de Santa Catarina em 2019, o seu elenco não suportou a competição na divisão de cima e, depressa, se enfurnou na rabeira da tabela. Aterrissou no intervalo do campeonato com ridículos 4 pontos no total de 36 disponíveis. Valentim dirigia o Vasco da Gama, já havia abiscoitado a Taça Guanabara de 2019 e daí perdeu a decisão do Carioca para o Flamengo, 0 X 2. Recebeu o “bilhete azul” de adeus ainda no vestiário e, imediatamente, o Avaí o chamou.

Argel Fucks – Técnico CSA (Foto: Divulgação/CSA)

CSA
Despediu: Marcelo Ribeiro Cabo
Contratou: Argel Fucks
Santa Rosa/RS , 4 de Novembro de 1974
Como jogador, central

Um personagem controvertido, Marcelo Cabo se tornou manchete em 16 de Janeiro de 2017, ao não comparecer a uma reunião do seu então clube, o Atlético Goianiense. Nem mesmo os seus familiares sabiam do seu paradeiro, e o clube se compeliu a fazer um BO de desaparecimento. Encontrado mais tarde num motel bem fuleiro, bêbado e com uma prostituta, Cabo nunca explicou o que ocorrera. De todo modo, em 2018 conduziu o CSA, o Centro Sportivo Alagoano, à segunda colocação no torneio da Série B.

Como o Avaí, o CSA não suportou a pressão da divisão de cima. Sai do intervalo com precários 6 pontos em 36 e um novo líder no seu banco de reservas. Em seus tempos de atleta com o Internacional de Porto Alegre, na década de 90, Fucks, na verdade Argélico, chegou a defender 5 vezes a “Canarinho”. E, como orientador, recentemente levantou três títulos de nível estadual: Figueirense/SC em 2015, Inter/RS em 2016 e Vitória/BA em 2017. Carrega a fama de pavio-curto. Desde 2008, passou por 20 times.

FLAMENGO
Despediu: Abel Carlos da Silva Braga
Contratou: Jorge Fernando Pinheiro de Jesus
Amadora, Portugal, 24 de Julho de 1954
Como jogador, meio-campista

Astro de Fluminense e Vasco, ídolo no PSG da França, também sem as chuteiras o Abelão construiu uma bela carreira no Exterior, inclusive com um bi nos Emirados, em 2010 e 2011. Aqui, brilhou no Internacional de Porto Alegre, vencedor da Libertadores e do Mundial da FIFA em 2006. Porém, corajoso, ousado, determinado e muito franco ao expressar as suas opiniões, sempre se enredou em polêmicas públicas com os torcedores e os cartolas.

No Fla desde 21 de Dezembro de 2018, emaranhado em facções que o amavam e outras que pediam a sua queda, em 29 de Maio lançou aos céus acusações de traição e se despediu. Marcelo Salles, das categorias de base, ocupou o lugar até a chegada de Jorge Jesus, no dia 10 de Junho. Um pragmático, que prefere a argumentação, a lógica, ao invés das emoções, o lusitano talvez seja um profissional excessivamente cartesiano para o passional “Urubu”, que pegou com 17 pontos e na terceira colocação da tabela, 8 abaixo do disparado Palmeiras, 3 atrás do vice Santos.

VASCO DA GAMA
Interino: Marcos Valadares
Contratou: Vanderlei Luxemburgo
Nova Iguaçu/RJ, 10 de Maio de 1952
Como jogador, lateral-esquerdo

Demitido Alberto Valentim, no vestiário, em 21 de Abril, logo após o seu time perder a decisão do Campeonato do Rio para o Flamengo, por quatro rodadas pilotou o barco do “Almirante” um oriundo da base, Marcos Valadares, o naufrágio à vista: um único ponto, um empate e 3 surras, 3 gols anotados e 10 concedidos. Sem outra perspectiva à sua vista, a diretoria da Cruz de Malta ressuscitou aquele Vanderlei Luxemburgo que havia fulgurado nos anos 90 do século passado, tanto que assumiu a seleção em 1998 e só perdeu o lugar depois de uma patética derrota, 1 X 2  para Camarões, na fase das quartas-de-final dos Jogos Olímpicos de Sydney/2000, na Austrália, na prorrogação,  o adversário só com 9 homens, depois de duas expulsões. Com o “Pofexô” no seu banco, o Vasco se livrou da zona de rebaixamento. Não melhorou muito, porém. Somou só 8 pontos, 2 vitórias, 2 empates, 1 insucesso, e está apenas  um precário degrau acima do risco do desabamento à Série B.