Policiais paraguaios são detidos por suposta propina para líder do PCC

Fonte: www.R7.com

Áudio divulgado revela cobrança de propina
Reprodução/Twitter/Secretaria Nacional de Inteligência do Paraguai

Quatro policiais foram detidos e toda uma delegacia “afastada” por uma suposta tentativa de suborno para impedir a captura de Thiago Ximenez, conhecido como “Matrix”, um dos líderes do grupo brasileiro Primeiro Comando Capital (PCC), que foi detido na semana passada no norte do Paraguai.

“Matrix” foi detido na sexta-feira (8) perto de Villa Ygatimí, no departamento de Canindeyú, fronteira com o Brasil, três dias depois a polícia matar o também brasileiro Reinaldo Araújo, com quem tinha fugido em dezembro de um centro de segurança de Assunção.

O ministro do Interior, Juan Ernesto Villamayor, anunciou nesta segunda-feira (11) a detenção de quatro policiais da delegacia de Colônia Ko’e Porá, em Villa Ygatimí, onde, além disso, todos os agentes foram afastados de seus cargos.

As medidas acontecem após a divulgação de um áudio no qual dois policiais falam com um parente de “Matrix”, supostamente para pedir o pagamento de uma propina .

Nesse sentido, Villamayor disse aos veículos de imprensa que o procedimento de captura de “Matrix” foi uma operação encoberta da qual a delegacia não tinha conhecimento.

“Durante a operação de captura de ‘Matrix’ existia a preocupação de que a polícia local tivesse acesso à informação e pudesse criar uma emboscada para os agentes ou para a fuga do criminoso”, disse Villamayor, citado na página do Ministério.

Nesse sentido, o presidente do país, Mario Abdo Benítez, que fez uma homenagem aos agentes que participaram dessa operação, reconheceu a realidade da corrupção na instituição, mas também destacou a existência de bons polícias como os homenageados.

“A corrupção, que afeta todas as instituições, é uma batalha diária onde vamos ter sucessos e derrotas, mas não temos que nos render”, disse o líder, citado pela agência estatal estadual “IP”.

Em 16 de dezembro, Araújo e Ximenez, que já tinha protagonizado uma fuga da prisão argentina de Ezeiza, escaparam do Agrupamento Especializado, um quartel policial de máxima segurança em Assunção.

O Ministério de Interior afirmou depois que a fuga dos dois integrantes do PCC foi possível graças à ajuda de vários agentes penitenciários.

Cerca de 20 de agentes do centro foram detidos após essa fuga.